Mauzões do trail

A opinião de Filipe Torres sobre os mauzões do trail nas redes sociais.

Fleed

  • Filipe Torres escreve artigo de opinião sobre as desistências no MIUT e as redes sociais
auto auto

 

Por Filipe Torres

Com o assentar da poeira do MIUT, tenho notado, no meio das dezenas de crónicas e relatos que tanto gosto de ler, o ressurgimento de uma vaga que eu pensava estar meio adormecida: a dos Mauzões do Trail. O contexto é o número record de desistências na prova, fator que esta elite imediatamente se apressa a atribuir à falta de experiencia e má preparação. Como é habitual, por arrasto vem a assunção que isto só acontece porque o trail está na moda, que o pessoal só lá vai para os likes no Facebook, que vão para fazer turismo e que, Deus nos livre, se está a banalizar o ultra trail running!

A minha pergunta é: mas qual é o vosso problema?

Estão preocupados com a pureza do desporto? Querem fechá-lo para as elites? Ou antes, fechar só para vocês e o vosso grupo de amigos, que aposto que têm um grau de amor pela montanha só inferior ao do Killian, cuja mãe deu à luz no Anetto?

Mas que pretensiosismo ranhoso é esse que vos legitima não só a assumirem as motivações dos outros como indubitavelmente acharem que não são válidas? Que condescendência é essa?!

Há malta que foi para lá mal preparada? Pois com certeza que há. Aposto que se aperceberam disso muito cedo na prova, até. Querem dois exemplos de má preparação? A minha primeira maratona de estrada em 2011 e o meu primeiro MIUT em 2015. Em ambos os casos fui impulsivo, treinei mal e não estava minimamente preparado para o que encontrei. O resultado? Entretanto concluí mais 7 maratonas, com o record pessoal mais de uma hora abaixo da estreia. Já o MIUT finalizei o quarto este ano e foi aquela primeira vez que me fez apaixonar definitivamente pela corrida de montanha e especificamente pela prova da Madeira. Estava mal preparado, pois estava. Tive consciência disso e comecei a treinar mais e melhor, mas se nunca tivesse dado aquele passo em falso provavelmente não tinha vivido as experiencias que me tornaram a pessoa que sou agora.

Sim, há casos de corredores de Facebook. Eu conheço alguns! Mas se realmente estiverem nisto pela moda o pior que pode acontecer é nunca mais calçarem as sapatilhas. O que é que isso vos afeta? Estão preocupados com a saúde deles? Acham que vos estão a roubar o protagonismo? A sério, digam-me, qual é o vosso problema??

.

Filipe Torres é um praticante de trail e ultra trail, autor do blogue Quarenta e Dois e cronista do Fleed.

 

Por Filipe Torres

Com o assentar da poeira do MIUT, tenho notado, no meio das dezenas de crónicas e relatos que tanto gosto de ler, o ressurgimento de uma vaga que eu pensava estar meio adormecida: a dos Mauzões do Trail. O contexto é o número record de desistências na prova, fator que esta elite imediatamente se apressa a atribuir à falta de experiencia e má preparação. Como é habitual, por arrasto vem a assunção que isto só acontece porque o trail está na moda, que o pessoal só lá vai para os likes no Facebook, que vão para fazer turismo e que, Deus nos livre, se está a banalizar o ultra trail running!

A minha pergunta é: mas qual é o vosso problema?

Estão preocupados com a pureza do desporto? Querem fechá-lo para as elites? Ou antes, fechar só para vocês e o vosso grupo de amigos, que aposto que têm um grau de amor pela montanha só inferior ao do Killian, cuja mãe deu à luz no Anetto?

Mas que pretensiosismo ranhoso é esse que vos legitima não só a assumirem as motivações dos outros como indubitavelmente acharem que não são válidas? Que condescendência é essa?!

Há malta que foi para lá mal preparada? Pois com certeza que há. Aposto que se aperceberam disso muito cedo na prova, até. Querem dois exemplos de má preparação? A minha primeira maratona de estrada em 2011 e o meu primeiro MIUT em 2015. Em ambos os casos fui impulsivo, treinei mal e não estava minimamente preparado para o que encontrei. O resultado? Entretanto concluí mais 7 maratonas, com o record pessoal mais de uma hora abaixo da estreia. Já o MIUT finalizei o quarto este ano e foi aquela primeira vez que me fez apaixonar definitivamente pela corrida de montanha e especificamente pela prova da Madeira. Estava mal preparado, pois estava. Tive consciência disso e comecei a treinar mais e melhor, mas se nunca tivesse dado aquele passo em falso provavelmente não tinha vivido as experiencias que me tornaram a pessoa que sou agora.

Sim, há casos de corredores de Facebook. Eu conheço alguns! Mas se realmente estiverem nisto pela moda o pior que pode acontecer é nunca mais calçarem as sapatilhas. O que é que isso vos afeta? Estão preocupados com a saúde deles? Acham que vos estão a roubar o protagonismo? A sério, digam-me, qual é o vosso problema??

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Filipe Torres é um praticante de trail e ultra trail, autor do blogue Quarenta e Dois e cronista do Fleed.

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