Carla Alves, a gestora portuguesa que coordena uma centena de países

Carla Alves é possivelmente a mulher gestora portuguesa que coordena uma operação com presença em mais países a nível mundial. A Diretora de Operações da Brokerslink AG é responsável por uma rede de corretores de seguros numa centena de países. Em entrevista ao Fleed, partilha com os leitores a sua experiência e ensinamentos.

Fleed

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Carla Alves é desde 2014 diretora de operações da Brokerslink AG, uma das principais empresas mundiais de corretagem de seguros e que tem como acionista o grupo multinacional de origem portuguesa MDS. A importância da sua função foi reforçada com a transformação da Brokerslink de uma rede mundial de corretores de seguros para uma empresa global de corretagem e consultoria de risco e seguros . Com sede em Zug, na Suíça, e uma estrutura com 55 acionistas de 40 países (entre as quais a portuguesa MDS), a Brokerslink é uma Global Broking Company onde a Carla desempenha um papel fundamental.

O seu dia-a-dia inclui gerir uma rede de brokers e specialty risk & consulting firms em cerca de 100 países, nos 5 continentes; assegurar que os clientes destes brokers recebem os melhores níveis de serviço em todas as geografias; desenvolver a relação com os parceiros estratégicos, o que inclui alguns dos principais seguradores a nível mundial; e coordenar as áreas de marketing e comunicação da empresa.

Uma componente chave da sua função é posicionar a Brokerslink como uma marca global, forte e reconhecida num mercado de grande concorrência como é o segurador e de consultoria de seguros e risco. Tratando-se de uma empresa com uma organização horizontal e assente numa estrutura em rede, a Brokerslink tem de ser competitiva globalmente e adaptar-se de forma muito rápida, permitindo a alocação de recursos e parceiros em qualquer parte do mundo. O investimento no conhecimento da marca Brokerslink é fundamental para, aliada à forte identidade e posicionamento dos seus partners locais, ser considerada como opção por parte dos clientes no momento da escolha do seu broker de seguros.

Formada em Gestão Financeira no IESF, pós-graduada em Marketing pelo IPAM e em Digital Business pela Porto Business School, tem ainda os diplomas do Programa Avançado em Gestão de Seguradoras da Universidade Católica Portuguesa, do Accelerated Development Programme da London Business School e do Leading the Effective Sales Force Programme do INSEAD.

Curiosidade, vontade de estar muito bem informada e o desejo de fazer mais e de forma diferente fazem parte das características pessoais que acredita serem essenciais para a evolução da sua carreira.

Com um passado desportivo ligado ao voleibol de competição, aplica frequentemente os princípios do desporto ao seu trabalho diário. Boa receção da bola, passes bem feitos e jogar sempre em equipa, onde a função de cada um é importante e conta. Organização e respeito pelas pessoas são os princípios básicos que, tal como no desporto, contam muito no seu trabalho.

Com uma experiência de mais de 20 anos na área dos seguros, o que mais gosta de destacar no seu percurso profissional é a oportunidade de, até agora, ter conhecido muitas pessoas interessantes em todo o mundo, os desafios de trabalhar num negócio muito inovador, dinâmico e reativo e a procura constante de melhorar a gestão de clientes.

Apaixonada por livros, sonha em ter uma livraria especial no Porto, cidade onde adora viver, como “aquela” que conhece em Nova York e que gosta religiosamente de visitar sempre que tem oportunidade de viajar para aqueles lados.

 

 

7 perguntas a Carla Alves

 

“As relações entre as pessoas continuam a ser a maior base de confiança e de engagement no mundo dos negócios”

 

Na Brokerslink tem de assegurar o funcionamento de uma rede com atividade cerca de 100 países. Quais são os principais desafios que enfrenta?

Numa empresa cuja cultura se baseia na colaboração, a comunicação é, sem dúvida, um dos maiores desafios. Envolver 10.000 pessoas de 100 países exige um foco permanente na forma como comunicamos a atividade da rede Brokerslink. É essa informação que atualiza e prepara os nossos partners e affiliates para as suas operações internacionais. Nesse sentido, iniciámos em 2017 um processo de transformação dos nossos websites e sistemas de informação por forma a garantir um resultado mais eficiente e regular à escala global.

Outro grande desafio é a avaliação num contexto de diferenças culturais. Trabalhar com 100 países implica descodificar uma diversidade de culturas e avaliar a informação à luz dessas diferenças. Exige conhecer bem as pessoas, escutar, compreender, respeitar e quebrar barreiras invisíveis. É impressionante o que se aprende!

 

Quais os principais ensinamentos que lhe deu este desafio internacional?

Apesar de vivermos num mundo cada vez mais digital e virtual, as relações entre as pessoas continuam a ser a maior base de confiança e de engagement no mundo dos negócios. A Brokerslink não existiria com tamanha dimensão e importância se não tivesse havido, desde o início, um grande investimento no conhecimento de cada um dos partners e affiliates que hoje fazem parte da organização. O relacionamento profissional vai muito além da troca de e-mails. Conhecemo-nos todos e isso reflete-se, e faz a diferença, nos serviços e negócios proporcionados na Brokerslink. Somos uma família!

 

Quais os conselhos que dá a uma mulher gestora que pretenda fazer carreira internacional?

Uma carreira internacional é uma das melhores formas de conhecer e aprender a nossa atividade profissional a uma escala global, sem fronteiras. É uma aprendizagem ilimitada e apaixonante.

Os conselhos dependem sempre dos objetivos e motivação de cada pessoa. Mas eu diria que é fundamental a capacidade de estar atualizada, saber o que se passa no mundo e no mercado. A curiosidade “habitual” da mulher é, sem dúvida, uma vantagem neste contexto, pois ajuda muito a conhecer os novos países, culturas e os hábitos das pessoas. A capacidade de adaptação a novas situações e às adversidades que surgem pelo caminho e, por fim, a disponibilidade para aceitar novos desafios, são também fundamentais.

 

Sente que a visão da mulher gestora difere entre vários países?

Ao contrário dos negócios que podem ser globais, a cultura não é global. É por isso perfeitamente natural que uma gestora portuguesa tenha uma visão e mindset diferente de uma gestora chinesa ou americana. As expectativas e a forma como encaramos a vida são diferentes o que, consequentemente, nos faz ter leituras e decisões também diferentes.

O que eu vejo como uma grande vantagem da mulher portuguesa é uma forte capacidade de adaptação e reação. Ouvimos, avaliamos e decidimos em função do enquadramento. Em algumas culturas mais rígidas, mais assentes nos processos e menos flexíveis à cultura local, isso não acontece.

 

Como gere, por exemplo, a relação com países onde ainda existem limitações ao papel da mulher? Alguma vez se sentiu discriminada pro ser mulher?

Ao nível da minha função e relações profissionais nunca me senti descriminada por ser mulher.

 

Como vê a situação das mulheres na gestão das empresas em Portugal?

A presença de mulheres na gestão das empresas é cada vez mais significativa. Mas é quase inevitável que assim seja quando o seu número e nível de educação supera o dos homens. As mulheres são hoje uma enorme base de talentos em Portugal. Frequentemente verificamos isso em processos de recrutamento para determinadas funções em que o número de mulheres candidatas supera largamente os homens. Dependendo da atividade, há funções para as quais os homens já começam a rarear.

 

Concorda com a legislação que pretende introduzir quotas do género sub representado nas administrações das empresas?

Não e sim. Não, porque acredito que, como em qualquer função, o acesso a funções de  administração deva ser conseguido por qualificações, competência e talento. Isso elimina qualquer forma de descriminação. Sim, porque em autorregulação as mulheres ainda são em número reduzido nos conselhos de administração, e também em cargos de direção. É preciso uma representação mais equilibrada entre homens e mulheres. E não é por falta de competências que isso não acontece, pois as mulheres representam mais de metade da população portuguesa e graduam-se em maior número que os homens. Mas continuará a ser um processo gradualmente lento se não forem tomadas medidas.

 

redacao@fleed.pt

 

 

 

 

Carla Alves é desde 2014 diretora de operações da Brokerslink AG, uma das principais empresas mundiais de corretagem de seguros e que tem como acionista o grupo multinacional de origem portuguesa MDS. A importância da sua função foi reforçada com a transformação da Brokerslink de uma rede mundial de corretores de seguros para uma empresa global de corretagem e consultoria de risco e seguros . Com sede em Zug, na Suíça, e uma estrutura com 55 acionistas de 40 países (entre as quais a portuguesa MDS), a Brokerslink é uma Global Broking Company onde a Carla desempenha um papel fundamental.

O seu dia-a-dia inclui gerir uma rede de brokers e specialty risk & consulting firms em cerca de 100 países, nos 5 continentes; assegurar que os clientes destes brokers recebem os melhores níveis de serviço em todas as geografias; desenvolver a relação com os parceiros estratégicos, o que inclui alguns dos principais seguradores a nível mundial; e coordenar as áreas de marketing e comunicação da empresa.

Uma componente chave da sua função é posicionar a Brokerslink como uma marca global, forte e reconhecida num mercado de grande concorrência como é o segurador e de consultoria de seguros e risco. Tratando-se de uma empresa com uma organização horizontal e assente numa estrutura em rede, a Brokerslink tem de ser competitiva globalmente e adaptar-se de forma muito rápida, permitindo a alocação de recursos e parceiros em qualquer parte do mundo. O investimento no conhecimento da marca Brokerslink é fundamental para, aliada à forte identidade e posicionamento dos seus partners locais, ser considerada como opção por parte dos clientes no momento da escolha do seu broker de seguros.

Formada em Gestão Financeira no IESF, pós-graduada em Marketing pelo IPAM e em Digital Business pela Porto Business School, tem ainda os diplomas do Programa Avançado em Gestão de Seguradoras da Universidade Católica Portuguesa, do Accelerated Development Programme da London Business School e do Leading the Effective Sales Force Programme do INSEAD.

Curiosidade, vontade de estar muito bem informada e o desejo de fazer mais e de forma diferente fazem parte das características pessoais que acredita serem essenciais para a evolução da sua carreira.

Com um passado desportivo ligado ao voleibol de competição, aplica frequentemente os princípios do desporto ao seu trabalho diário. Boa receção da bola, passes bem feitos e jogar sempre em equipa, onde a função de cada um é importante e conta. Organização e respeito pelas pessoas são os princípios básicos que, tal como no desporto, contam muito no seu trabalho.

Com uma experiência de mais de 20 anos na área dos seguros, o que mais gosta de destacar no seu percurso profissional é a oportunidade de, até agora, ter conhecido muitas pessoas interessantes em todo o mundo, os desafios de trabalhar num negócio muito inovador, dinâmico e reativo e a procura constante de melhorar a gestão de clientes.

Apaixonada por livros, sonha em ter uma livraria especial no Porto, cidade onde adora viver, como “aquela” que conhece em Nova York e que gosta religiosamente de visitar sempre que tem oportunidade de viajar para aqueles lados.

 

 

7 perguntas a Carla Alves

 

“As relações entre as pessoas continuam a ser a maior base de confiança e de engagement no mundo dos negócios”

 

Na Brokerslink tem de assegurar o funcionamento de uma rede com atividade cerca de 100 países. Quais são os principais desafios que enfrenta?

Numa empresa cuja cultura se baseia na colaboração, a comunicação é, sem dúvida, um dos maiores desafios. Envolver 10.000 pessoas de 100 países exige um foco permanente na forma como comunicamos a atividade da rede Brokerslink. É essa informação que atualiza e prepara os nossos partners e affiliates para as suas operações internacionais. Nesse sentido, iniciámos em 2017 um processo de transformação dos nossos websites e sistemas de informação por forma a garantir um resultado mais eficiente e regular à escala global.

Outro grande desafio é a avaliação num contexto de diferenças culturais. Trabalhar com 100 países implica descodificar uma diversidade de culturas e avaliar a informação à luz dessas diferenças. Exige conhecer bem as pessoas, escutar, compreender, respeitar e quebrar barreiras invisíveis. É impressionante o que se aprende!

 

Quais os principais ensinamentos que lhe deu este desafio internacional?

Apesar de vivermos num mundo cada vez mais digital e virtual, as relações entre as pessoas continuam a ser a maior base de confiança e de engagement no mundo dos negócios. A Brokerslink não existiria com tamanha dimensão e importância se não tivesse havido, desde o início, um grande investimento no conhecimento de cada um dos partners e affiliates que hoje fazem parte da organização. O relacionamento profissional vai muito além da troca de e-mails. Conhecemo-nos todos e isso reflete-se, e faz a diferença, nos serviços e negócios proporcionados na Brokerslink. Somos uma família!

 

Quais os conselhos que dá a uma mulher gestora que pretenda fazer carreira internacional?

Uma carreira internacional é uma das melhores formas de conhecer e aprender a nossa atividade profissional a uma escala global, sem fronteiras. É uma aprendizagem ilimitada e apaixonante.

Os conselhos dependem sempre dos objetivos e motivação de cada pessoa. Mas eu diria que é fundamental a capacidade de estar atualizada, saber o que se passa no mundo e no mercado. A curiosidade “habitual” da mulher é, sem dúvida, uma vantagem neste contexto, pois ajuda muito a conhecer os novos países, culturas e os hábitos das pessoas. A capacidade de adaptação a novas situações e às adversidades que surgem pelo caminho e, por fim, a disponibilidade para aceitar novos desafios, são também fundamentais.

 

Sente que a visão da mulher gestora difere entre vários países?

Ao contrário dos negócios que podem ser globais, a cultura não é global. É por isso perfeitamente natural que uma gestora portuguesa tenha uma visão e mindset diferente de uma gestora chinesa ou americana. As expectativas e a forma como encaramos a vida são diferentes o que, consequentemente, nos faz ter leituras e decisões também diferentes.

O que eu vejo como uma grande vantagem da mulher portuguesa é uma forte capacidade de adaptação e reação. Ouvimos, avaliamos e decidimos em função do enquadramento. Em algumas culturas mais rígidas, mais assentes nos processos e menos flexíveis à cultura local, isso não acontece.

 

Como gere, por exemplo, a relação com países onde ainda existem limitações ao papel da mulher? Alguma vez se sentiu discriminada pro ser mulher?

Ao nível da minha função e relações profissionais nunca me senti descriminada por ser mulher.

 

Como vê a situação das mulheres na gestão das empresas em Portugal?

A presença de mulheres na gestão das empresas é cada vez mais significativa. Mas é quase inevitável que assim seja quando o seu número e nível de educação supera o dos homens. As mulheres são hoje uma enorme base de talentos em Portugal. Frequentemente verificamos isso em processos de recrutamento para determinadas funções em que o número de mulheres candidatas supera largamente os homens. Dependendo da atividade, há funções para as quais os homens já começam a rarear.

 

Concorda com a legislação que pretende introduzir quotas do género sub representado nas administrações das empresas?

Não e sim. Não, porque acredito que, como em qualquer função, o acesso a funções de  administração deva ser conseguido por qualificações, competência e talento. Isso elimina qualquer forma de descriminação. Sim, porque em autorregulação as mulheres ainda são em número reduzido nos conselhos de administração, e também em cargos de direção. É preciso uma representação mais equilibrada entre homens e mulheres. E não é por falta de competências que isso não acontece, pois as mulheres representam mais de metade da população portuguesa e graduam-se em maior número que os homens. Mas continuará a ser um processo gradualmente lento se não forem tomadas medidas.

 

redacao@fleed.pt

 

 

 

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